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domingo, 18 de novembro de 2012

Série livros sobre Amazônia- MAD MARIA - Márcio Souza




Márcio Gonçalves Bentes de Souza (Manaus, 4 de março 1946) é um escritor brasileiro, autor de diversas obras inseridas no ambiente sociocultural da Amazônia, tais como Mad Maria, Galvez, Imperador do Acre, Plácido de Castro contra o Bolivian Syndicate, Zona Franca, meu amor, Silvino Santos: o cineasta do ciclo da borracha, entre outras.
Destacou-se também como cineasta e ensaísta (A selva; A expressão amazonense do neolítico à sociedade de consumo). Mais recentemente, tem-se dedicado a uma tetralogia sobre os anos em que a antiga Província do Grão-Pará, que fora durante todo o período colonial um Estado separado do Estado do Brasil, atravessou a série crise de sua anexação ao Brasil e de revoltas contra o poder do Rio de Janeiro e/ou contra a desigualdade social, de que padeciam sobretudo os negros e os indígenas.
Foi também presidente da Funarte entre 1995 e 2003, no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Fonte: Wikipédia


Resenhas: Mad Maria
 
 Mad Maria, escrito em 1980, é o segundo livro de Souza e a narrativa transcorre no interior da Amazônia. O livro relata a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, entre 1907 e 1912. Na época os investidores tinham o objetivo de construir uma estrada que pudesse competir com o Canal do Panamá. A ferrovia integraria uma região rica em látex na Bolívia com a Amazônia, mas no caminho, encontraria obstáculos descomunais: 19 cataratas, 227 milhas de pântanos e desfiladeiros, centenas de cobras e escorpiões, árvores gigantescas e milhões de mosquitos transmissores de malária. Antes de terminadas as obras, 3,6 mil homens estavam mortos, 30 mil hospitalizados e uma fortuna em dólares desperdiçada na selva.

“Mad Maria é um romance sem complacência, uma Ilíada proletária onde os deuses são substituídos por políticos corrompidos, Norte-Americanos rapinantes. Chefes sem piedade, e seria errôneo acusar Márcio Souza de maniqueísmo: nenhum de seus personagens redime o outro, Finnegan, o mais confiante, o mais idealista, o mais fraternal, acabará na pele de um assassino. Assim são as coisas em uma Amazônia que deveria inspirar coesão, solidariedade, mas que exacerba egoísmo, multiplica suscetibilidade e conflitos, sacrifica o melhor pelo pior...

Há algo de Zola e de Jack London em Mad Maria. O importante não é este ou aquele personagem, mas a vitória do sistema. Ninguém sai ileso. Aqueles que tentam escapar terminam em bordéis ou, mais radicalmente, acabam decapitados.

Com Mad Maria, Márcio Souza assinou um romance amargo e vingador, sarcástico às vezes. Porém, para dizê-lo cinicamente, o que pode uma flecha de curare contra um exército de bulldorzes?” Jacques Meunier, Lê Monde, 21 de agosto de 1986.

Ao escolher os episódios mais macabros e inacreditáveis dos registros históricos dos cinco anos da construção da ferrovia e concentrando-os em três meses de pesadelo, Márcio Souza força o leitor - neste momento já quase um personagem emaranhado na vegetação - a confrontar o inferno. Mad Maria é um romance amargo e vingador, sarcástico, às vezes. Uma obra-prima da literatura brasileira.

Mad Maria - Márcio Souza
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Márcio Souza tem recontado a história do Brasil de forma admirável ao longo de sua carreira. Seguindo os passos de Galvez, o imperador do Acre, Mad Maria é mais um romance memorável do escritor.

O livro relata a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, entre 1907 e 1912. Na época os investidores tinham o objetivo de construir uma estrada que pudesse competir com o Canal do Panamá. A ferrovia integraria uma região rica em látex na Bolí­via com a Amazônia, mas no caminho, encontraria obstáculos descomunais: 19 cataratas, 227 milhas de pântanos e desfiladeiros, centenas de cobras e escorpiões, árvores gigantescas e milhões de mosquitos transmissores de malária. Antes de terminadas as obras, 3,6 mil homens estavam mortos, 30 mil hospitalizados e uma fortuna em dólares desperdiçada na selva. Ao escolher os episódios mais macabros e inacreditáveis dos registros históricos dos cinco anos da construção da ferrovia e concentrando-os em três meses de pesadelo, Márcio Souza força o leitor - neste momento já quase um personagem emaranhado na vegetação - a confrontar o inferno. Mad Maria  é um romance amargo e vingador, sarcástico, í s vezes. Uma obra-prima da literatura brasileira. Márcio Souza nasceu em Manaus em 1946. Formado em Ciências Sociais pela USP, começou a vida profissional no cinema, como crí­tico, roteirista e diretor. Tem uma sólida carreira como dramaturgo, autor de peças como Ação entre amigos e Tem piranha no Pirarucu. Galvez Imperador do Acre marca a estréia literária em 1976. Sua carreira como escritor já conta com mais de vinte tí­tulos, entre eles O fim do terceiro mundo, Lealdade, Desordem e Entre Móises e Macunaí­ma. Desde 1995 é presidente da Funarte. "A ironia amarga de Márcio Souza germina diretamente do coração das trevas." The New York Tikmes Book Review "Epopéia í s avessas, romance notável de um Márcio Souza crescentemente mestre de seu ofí­cio e transbordante de talento, Mad Maria é um faroeste à medida brasileira: sem ilusões, vigilante e pontiagudo como uma flecha na noite escura." Folha de São Paulo
Autor: Márcio Souza

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Resenha de Mad Maria (clikc no link) de  Divino Litria Nascimento

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Mad Maria - Márcio Souza - resumo
Adaptado de Rodrigo Cunha
No final do século XIX e início do século XX, os trilhos de ferro que começavam a cortar o continental território brasileiro e a fumaça das locomotivas que passavam por eles - carinhosamente chamadas de Marias - simbolizavam de certa forma a chegada do progresso ao país. A louca Maria do título desse romance do amazonense Márcio Souza sintetiza a insanidade de um malogrado projeto ferroviário que estendia essa idéia de progresso para uma desconhecida e imprevisível região da floresta amazônica.
Após os conflitos entre brasileiros e bolivianos pela ocupação de uma região que corresponde ao atual estado do Acre, o governo brasileiro se comprometeu através do Tratado de Petrópolis, assinado por Brasil e Bolívia em 1903, a construir uma ferrovia desde o porto de Santo Antônio, no rio Madeira, em Mato Grosso, até Guajará-Mirim, no rio Mamoré, com um ramal que chegasse à Vila Bela, na Bolívia. O edital de concorrência pública para construção da ferrovia foi publicado em 1905 e vencido pelo engenheiro Joaquim Catrambi, mero testa-de-ferro do grupo norte-americano que se encarregou de construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré entre 1906 e 1912.
Em Mad Maria, o romancista Márcio Souza - que também fez filmes e peças de teatro sobre a região amazônica - conta, em forma de ficção, as desventuras dos homens que trabalharam na etapa final da construção da ferrovia. O ponto de partida da narrativa é o verão de 1911, quando o jovem médico de origem irlandesa Richard Finnegan, começa a trabalhar na enfermaria do acampamento onde vivem os trabalhadores da Madeira-Mamoré Railway Company. O calor infernal e sua luta com os escorpiões que apareciam após as rápidas chuvas de verão eram apenas o prenúncio do que ele viveria a partir de então e o levaria, senão à loucura sintetizada na locomotiva que reina sobre os trilhos que ligam o nada a parte alguma - segundo o colérico engenheiro inglês Stephan Collier, que chefia as obras - à dureza de caráter, passando a encarar como rotina os óbitos de trabalhadores que ele atestava e registrava metodicamente em seus relatórios, e a lidar, ao final da narrativa, com os mesmos métodos de intimidação bélica que Collier adotava diante das insanas e freqüentes brigas entre os trabalhadores de diferentes nacionalidades.
Dentre os episódios que vão endurecendo o caráter do jovem Finnegan e que ilustram a crua violência que permeia grande parte da narrativa estão as mortes por malária de trabalhadores que vendiam a sua dose de medicamento preventivo para ganhar um pouco mais do que o salário miserável que recebiam da companhia, e o seqüestro do médico por trabalhadores alemães que, após uma tentativa de greve frustrada, resolvem fugir do acampamento e o levam como refém, amarrado dentro de um tonel de gordura carregado por uma mula.
A violência aparece mais explicitamente em cenas fortes como a do negro de Barbados que decepa um alemão que o acusa de furto e tenta matá-lo, e a do índio que tem suas mãos amputadas após ser descoberto como o verdadeiro responsável pelo desaparecimento de objetos pessoais de irrisório valor material no acampamento, que provocava desavenças entre os trabalhadores. A vida desses estrangeiros recrutados para a construção da Madeira-Mamoré se tornou tão desvalorizada pelo baixo salário e pelas péssimas condições de trabalho e de acomodação que eles chegam facilmente à insanidade de - literalmente - perder a cabeça por causa de uma simples camisa ou de se arriscar a contrair malária, abrindo mão do medicamento diário em troca de algum dinheiro extra.
Além do rastro de mortes deixado pela construção da ferrovia, há contrapontos na narrativa que atenuam o ambiente de insanidade infernal no acampamento. Até o sisudo engenheiro Collier, com seu ácido humor inglês, nos diálogos com o amigo Thomas, o maquinista norte-americano que trabalhou com ele em outras empreitadas, se torna uma pessoa amável. O contraponto mais nítido se personifica em Consuelo, a pianista boliviana que é levada ao acampamento após ser encontrada ferida e desacordada no meio da selva, e que uma vez alojada na enfermaria, mantém uma relação ambígua com o índio de mãos amputadas e com o jovem e metódico doutor Finnegan.
A exemplo do que fizeram grandes nomes da literatura brasileira - como Antonio Callado, em Quarup, Rubem Fonseca, em Agosto, e Érico Veríssimo, em O Tempo e o Vento - o escritor amazonense Márcio Souza narra em Mad Maria um momento histórico do país, alternando a saga de personagens fictícios com a trama vivida por personagens reais, como o mega empresário norte-americano Percival Farqhuar, proprietário da Madeira-Mamoré Railway Company e de diversas concessões públicas no Brasil, entre portos, ferrovias e companhias elétricas. Essa trama envolve, além de Farqhuar, as altas esferas do poder público, incluindo o então ministro de Viações e Obras e futuro governador da Bahia, J. J. Seabra, com quem o empresário norte-americano "compartilha" uma amante. Esse, aliás, é um estereótipo usado por Souza para caracterizar as altas esferas do poder no universo do romance: nem mesmo o célebre jurista Ruy Barbosa, já septuagenário e em decadência política após perder a disputa da presidência para o Marechal Hermes da Fonseca, escapa de ter a sua amante.
Tirando alguns exageros, como a queda de árvores de cinco metros de raio (!) sobre os trilhos da ferrovia, e o hino norte-americano sendo tocado ao piano com os pés pelo índio de mãos amputadas, Mad Maria ainda assim é um bom romance que resgata esse trágico episódio envolvendo o capital estrangeiro tentando rasgar a selva com o progresso dos trilhos às custas de milhares de mortes. Entre os legados dessa empreitada norte-americana no Brasil está a cidade de Porto Velho, atual capital de Rondônia, erguida em 1907 durante a construção da Madeira-Mamoré e que substituiu a cidade de Santo Antônio como ponto inicial da ferrovia. Sucateada na década de 70, a estrada de ferro teve seus trechos iniciais recuperados para fins turísticos nos anos 80, mas hoje está totalmente desativada. A louca Maria, abandonada, há muito já não reina sobre os trilhos amazônicos e não joga sua fumaça pela selva desbravada.

 FONTE:  Rodrigo Cunha

 EDIÇÕES DE MAD MARIA 




Márcio Souza. Mad Maria. Civilização Brasileira. 1980. 1. ed.  346 p. Coleção Vera Cruz, v. 301


Márcio Souza. Mad Maria. Circulo do Livro. 1980.  340p.

Márcio Souza. Mad Maria. Circulo do Livro. 1980.  340p.




Márcio Souza. Mad Maria. Editora Marco Zero. 3.ed. 1985.  349 p.

Márcio Souza. Mad Maria. Record. 2002.  346 p.



Márcio Souza. Mad Maria: o livro que inspirou a minisséria da TV Globo. Record. 2005. 346 p.

Editado em Novembro de 2012 - Agosto de 2014

2 comentários:

  1. Obra culta num pais oposto!
    Onde conseguir alguns exemplares?
    Obrigado
    M nunes

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  2. Na estante virtual tem varios sebos que tem ofertas destes livros do Márcio Souza

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