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sexta-feira, 20 de julho de 2018

J. G. de Araújo Jorge - Poeta acreano

José Guilherme de Araújo Jorge, nascido em Taraúaca em 20 de maio de 1914 e falecido aos 72 anos em 27 de Janeiro de 1987 no Rio de Janeiro. Conhecido como J. G de Araújo Jorge, foi um poeta, trovador, escritor e político acreano. Filho de Salvador Augusto de Araújo Jorge, juiz de direito em Tarauacá, e Zilda Tinoco de Araújo Jorge. Descendente, pelo lado paterno, de tradicional família alagoana: os Araújo Jorge. Sobrinho do embaixador Artur Guimarães de Araújo Jorge (autor de inúmeras obras sobre Filosofia, História e Diplomacia), sobrinho neto de Adriano de Araujo Jorge, médico, escritor, grande orador, foi presidente perpétuo da Academia Amazonense de Letras, e do professor Afrânio de Araujo Jorge, fundador do Ginásio Alagoano, de Maceió. Pelo lado materno, dos Tinocos, dos Caldas e dos Gonçalves, de Campos, Macaé, e São Fidélis, Estado do Rio. Passou sua infância no Acre, em Rio Branco, onde fez o curso primário no Grupo Escolar 7 de Setembro. No Rio de Janeiro, realizou curso secundário nos colégios Anglo-Americano e Pedro II. Colaborou desde menino na imprensa estudantil. Foi fundador e presidente da Academia de Letras do Internato Pedro II. Data dessa época, sua primeira colaboração na imprensa adulta: em 1931, viu publicado seu poema "Ri Palhaço, Ri" no "Correio da Manhã", depois transcrito no "Almanaque Bertand" de 1932. Entretanto, esse como outros trabalhos desse tempo, não foram incluídos em seus livros. Colaborou também no jornal "A Nação"; nas revistas "Carioca", "Vamos Ler" etc. Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil. Em 1932, no Externato Colégio Pedro II, em memorável certame, foi escolhido o "Príncipe dos Poetas", sendo saudado na festa por Coelho Neto, "príncipe dos prosadores brasileiros" recebendo das mãos da poetisa Ana Amélia, presidente da Casa do Estudante, como prêmio e homenagem, um livro ofertado por Adalberto Oliveira, então "Príncipe da Poesia Brasileira". Orador oficial de entidades universitárias, (do CACO, da União Democrática Estudantil, precursora da UNE, da Associação Universitária etc). Ainda estudante, venceu concursos de oratória. Em Coimbra recebeu no título de "estudante honorário" e fez Curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim. Foi professor do Colégio Pedro II. Publicou vários livros de poesia, como "Meu Céu Interior", "Amo" e diversos outros. Escreveu também poesia politico-social e romances, entre esses, "Um besouro ma vidraça". Morou  na Rua Dias da Rocha, 44,  Copacabana - RJ. 


Prédio da residencia do J. G. de Araújo Jorge em Copacabana - RJ

Com irrefreável vocação política, foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se deputado federal em 1970 pelo antigo Estado da Guanabara, reelegendo-se já para o seu terceiro mandato em 1978. Ocupou a vice-liderança do MDB e a presidência da Comissão de Comunicação na Câmara dos Deputados. Em 1982, aderiu ao PDT de Leonel Brizola, e se reelegeu pela última vez por esta legenda, com 31.352 votos. Após romper com Brizola, em 1985, voltou para o PMDB, e foi derrotado nas eleições para a Constituinte, em 1986. Foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política e por sua obra lírica, de linguagem simples, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes, dramático. 


Fonte: wikipedia
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J. G. de Araújo Jorge

Apesar de ter publicado mais de três dezenas de obras e do êxito editorial de quase todos os seus livros, Araujo Jorge nunca foi reconhecido pela crítica literária. Raramente os grandes jornais publicavam alguma apreciação sobre seu trabalho, o que ele chamava de "conspiração do silêncio". O fato é que J.G. foi um dos poetas mais populares que o Brasil já teve e o único que vendeu mais de um milhão de livros. Entre as décadas de 60 a 80, os versos de J.G. estavam nos cadernos de poesia dos jovens, eram declamados em festas e recitais e difundidos em programas radiofônicos, jornais e revistas de todo o País.
Sua poesia está viva até hoje, emocionando os corações enamorados e traduzindo seus desejos, angústias e esperanças.
Ele se orgulhava de ser um homem que vivia intensamente. Foi professor, jornalista e publicitário de sucesso. Na época ficou muito conhecido por seus jingles, que garantiam sucesso a qualquer produto que anunciavam. Um deles é lembrado até hoje: "Isso faz um bem", da Coca-Cola.
J.G. dizia que é possível aprender a fazer versos, mas nunca a ser poeta. "Poesia não é só construção. Senão, poderíamos abrir uma escola para poetas, como há uma escola de Engenharia ou de Direito. Quanto a mim, já respondi: Eu faço versos assim/ como quem respira e canta/ a poesia nasce em mim/ como do chão nasce a planta"
Ele também dizia: "O poeta é um tradutor de realidades subjetivas. Um transfigurador. Um mergulhador dos mares do espírito. O poeta é um prestidigitador ─ faz mágica com a vida. Transforma água em vinho, para a embriaguez da beleza. A poesia é criada pelo pensamento, mas seu material é o sentimento. Cobaia de si mesmos, os poetas, em experiências e pesquisas constantes, revelam a vida, são apenas homens que nasceram poetas. O poeta é como um alpinista, que já nasceu trazendo em si mesmo os instrumentos e apetrechos para poder realizar escaladas."
Fonte: http://www.avozdapoesia.com.br/autores.php?poeta_id=270

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J.G. de Araújo Jorge

Estudou nos colégios Anglo-Brasileiro, Anglo-Americano e Pedro II, todos no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, diplomando-se por este último, em 1932, em ciências e letras. Ainda ginasiano iniciou sua carreira literária com Meu céu interior (poesia), que recebeu menção honrosa da Academia Brasileira de Letras. Em 1934 viajou à Alemanha, onde fez um curso de extensão cultural no Deutsche Institut Für Auslaender na Universidade de Berlim. Nesse mesmo ano esteve em Portugal, a convite do governo deste país, como integrante da Embaixada Universitária Osvaldo Aranha e, em 1936, na Argentina, por ocasião da inauguração do monumento ao presidente Saens Peña, como membro da Embaixada Presidente Justo. No ano seguinte bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.

Após a extinção do Estado Novo (1937-1945), concorreu em dezembro de 1945 a um mandato de deputado pelo Distrito Federal à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do Partido Republicano (PR), obtendo, porém, apenas uma suplência. No ano seguinte teve seu livro Eterno motivo contemplado com o Prêmio Raul de Leoni, da Academia Carioca de Letras.

Técnico educacional do Ministério da Educação e Cultura, foi também orientador do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Nova Friburgo (RJ), funcionário do Instituto de Pensões e Aposentadoria dos Servidores do Estado (IPASE) e professor do Colégio Pedro II, onde, em 1950, concorreu à cátedra de literatura com a tese A poética moderna. Como jornalista, foi redator dos jornais A Manhã eResistência e da revista PN, além de colaborador, durante muitos anos, do Correio da Manhã, todos do Rio de Janeiro, onde foi ainda redator e locutor das rádios Nacional e Cruzeiro do Sul. Como publicitário, foi chefe de redação da McCann Erickson Publicidade, tendo atuado também como chefe de vendas da empresa Listas Telefônicas Brasileiras (LTB).

No pleito de outubro de 1954 candidatou-se a uma cadeira na Câmara Municipal do Distrito Federal na legenda da União Democrática Nacional (UDN), obtendo a segunda suplência. Em outubro de 1958 disputou um mandato de deputado federal pelo Distrito Federal na legenda do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, mais uma vez, conquistou apenas uma suplência.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964) e com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a conseqüente implantação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, legenda na qual se elegeu em novembro de 1970 deputado federal pelo estado da Guanabara. Empossado em fevereiro do ano seguinte, foi eleito vice-líder do partido na Câmara dos Deputados, condição à qual seria reconduzido em 1972 e em 1973. Logo no início da legislatura, apresentou, em abril de 1971, um projeto estabelecendo que os cidadãos atingidos pelos atos institucionais — decretados após a deposição do presidente João Goulart — fossem autorizados a solicitar dos poderes públicos a instauração de processos regulares ou a revisão dos processos a que estavam submetidos. Considerado inconstitucional, o projeto foi arquivado. Designado em 1971 vice-presidente da Comissão Especial do Menor Abandonado, no ano seguinte apresentou novo projeto, dessa vez propondo a criação de uma comissão que procedesse à revisão da cassação de mandatos parlamentares e direitos políticos até ali executados. A proposição foi, contudo, arquivada antes mesmo de apreciada.

Identificado com o “grupo autêntico” do MDB, entrou em conflito com o governador carioca e líder regional emedebista Antônio Chagas Freitas durante a campanha eleitoral de 1974. Virtualmente impedido com Lisânias Maciel e Edson Khair de usar o horário do partido na televisão, precisou recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que garantiu seu acesso ao programa. Realizado o pleito em novembro de 1974, obteve a reeleição. Durante essa legislatura exerceu as funções de vice-presidente da Comissão de Comunicações, de suplente das comissões de Segurança Nacional e de Educação e Cultura, e de relator parcial da comissão especial sobre redivisão territorial e política demográfica da Câmara dos Deputados. Reeleito em novembro de 1978, com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Nessa legislatura voltou a integrar a Comissão de Comunicações, passando também a suplente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Reelegeu-se em novembro de 1982 na legenda do PDT, assumindo sua cadeira em fevereiro seguinte. Na sessão da Câmara de 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira que, se confirmada pelo plenário, restabeleceria as eleições diretas para presidente da República em novembro do mesmo ano. Como a emenda não obteve a votação necessária para ser enviada ao Senado, decidiu apoiar, no Colégio Eleitoral de 15 de janeiro de 1985, a candidatura presidencial do ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves, eleito pela coligação oposicionista Aliança Democrática, formada pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e pela dissidência do Partido Democrático Social (PDS) reunida na Frente Liberal.  Em 1986, J. G. de Araújo Jorge rompeu com o PDT e retornou ao PMDB, não conseguindo sua reeleição no pleito de novembro deste mesmo ano. Deixou a Câmara Federal em janeiro do ano seguinte, ao fim de seu mandato.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 27 de janeiro de 1987.

Era casado com Maria Sousa de Araújo Jorge, com quem teve dois filhos.

Além das obras citadas e de artigos na revista Letras Brasileiras, do Rio de Janeiro, publicou Poesia(1934), Bazar de ritmos (1935), Cântico dos cânticos (1937), Amo! (1938), Cântico do homem prisioneiro(cânticos, 1941), Um besouro contra a vidraça (romance, 1942), Canto da terra (1945), Estudo da terra(1946), Antologia da nova poesia brasileira (1948), Festa de imagens (1948), A outra face (1949), Brasil com letra maiúscula (1960), Os mais belos sonetos que o amor inspirou (v. 1, 1961), Cantiga do só (1963),Trovadores brasileiros (1964), Trevos de quatro versos (trovas, 1964), Cantigas de menino grande (1965),Quatro damas (1965), Concerto a quatro mãos (em colaboração com Maria Helena, 1966), Mensagem(1966), Os mais belos sonetos que o amor inspirou (v. 2 e 3, 1966), De mãos dadas (1967), Canto a Friburgo(1967), Harpa submersa (1968), A sós (1969), Poemas do amor ardente (1969), Meus sonetos de amor (1969),O poder da flor (1969), No mundo da poesia (1970) e Espera (1971).



FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1971-1975, 1975-1979 e 1979-1983); CÂM. DEP. Relação nominal; Estado de S. Paulo (6/3/76 e 28/1/87); Folha de S. Paulo (28/1/87); Globo(26/4/84, 16/1/85, 29/4/86, 28/1 e 2/2/87); Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; Jornal do Brasil(28/1/87); MENESES, R. Dic.; NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); ROQUE, C. Grande; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (3); Veja (4/2/87).



FONTE: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/jorge-jg-de-araujo

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J. G. DE ARAÚJO JORGE: UM ROMÂNTICO NA PRAÇA

Isaac Melo

A poesia sempre me fascinou. O mundo tem mais carência de poetas que de soldados. Porque a verdadeira revolução é aquela que se processa no mais íntimo de cada pessoa. O homem moderno busca o espaço, a lua, as fronteiras do universo; o poeta, por sua vez, continua sua perene viagem ao encontro do homem, de sua alma, de seu ser, de seu coração. O poeta não faz só versos. O poeta vibra com a vida, com a liberdade, com o amor, com a beleza. Quando o poeta escreve não escreve por si só, mas assume a responsabilidade de escrever pela humanidade. O poeta tantas vezes se faz consciência da humanidade, despertando-a quando vive os mais diversos pesadelos que afligem o corpo e a alma humana. Há poetas da razão e da emoção. Há poetas da alcova e da praça. Mas a poesia, embora aprisionada, sempre nasce livre. E a máxima do poeta é a liberdade.

A minha terra, onde também canta o sabiá, é o chão de um poeta grandioso como uma samaúma. José Guilherme de Araújo Jorge é filho de Tarauacá, nascido a 20 de maio de 1914. Seu pai, Salvador Augusto de Araújo Jorge, fora juiz municipal da comarca tarauacaense a partir de 1912. Anos depois, 1923, chefe de polícia em Rio Branco, nomeado por Arthur Bernardes. A casa dos Araújo Jorge ficava no “bairro” Leoncio de Andrade, na verdade, o seringal Foz do Muru, na confluência do rio Muru com o rio Tarauacá, em frente à cidade, adquirido depois pela família do escritor Leandro Tocantins, onde este viveu sua infância.

        Não cheguei de Ita, com alma palaciana,
        disposto a conquistar a grande capital,
        não invadi os jornais e suplementos
        construindo "igrejinhas" sem fiéis.

        Sou o poeta menor, o poeta humilde, sem história,
        que nasceu nesse Brasil grande, numa vila sem nome,
        pra lá, muito pra lá...
        - a vila de Tarauacá.

        Do poema “Canto do Poeta Menor”
        "Cantiga do Só" 2a edição, 1968.




J.G. e os irmãos**.
Foto: Clodomir Monteiro 
in Agência de Notícias do Acre



O pequeno José Guilherme viveu em Tarauacá até os sete anos de idade. O extinto Jornal Official, da então Vila Seabra, de 21 de Maio de 1916 (Ano I, No 6) fazia o seguinte registro: “Passou ontem o segundo aniversário do nascimento do interessante José Guilherme, filho do nosso ilustrado amigo Dr. Araújo Jorge, digníssimo Juiz de Direito da Comarca. A casa de s. Excia. esteve cheia todo dia, e foi servido lauto banquete aos seus muitos amigos. Desejamos que o Zé Guilherme cresça em sadiez e inteligência e de futuro como verdadeiro acreano que é, trabalhe pela felicidade e pelo progresso desta abençoada terra que o viu nascer”. O jornalista talvez não imaginasse que seu vaticínio um dia se tornaria realidade. E o “interessan-te” Zé Guilherme, com sua inteligência dilatada, se tornaria um dos poetas mais lidos do Brasil, quiçá, o mais lido à sua época.

Em Rio Branco, com a transferência do pai, José Guilherme passaria sua infância. Fora aí que fizera o curso primário, no grupo escolar 7 de Setembro. A capital acreana impregnara de muitas saudades e lembranças a memória do poeta. Assim versejou, ao lembrar o grupo escolar:


Grupo escolar 7 de Setembro
em 1929.


        Festa no Grupo Escolar:
        eu apache, ela duquesa,
        pulseirinha feito cobra
        que o preso fez na cadeia
        – tem meu nome, o nome dela, –
        coloco no braço dela,
        – primeira algema de amor.
        Santinho passado na aula
        castigo da professora,
        coisas que a gente não diz
        atrás do pano do palco.

        Do poema “Retratos da infância (dez anos)”
        “A Outra Face”, 1949.

A terra dos seringais, particularmente Rio Branco, mais que sua terra natal, muito impressionara o poeta. E dela nunca pôde esquecer, como revelam os versos:

        Onde estás Rio Branco, dos bois rodando nos varais
        das moendas do engenho, gementes,
        (Meu Deus! a tristeza castrada do olhar dos bois!)
        dos bois arrastando madeiras pra serraria,
        dos cajueiros carregados
        das mangueiras noivando
        dos cacaureiros da floresta,
        e daquele alto cajazeiro que pintava o chão das madrugadas
        com salpicos de ouro
        depois do vento da noite.

        (....)
  
        Rio Branco
        meu princípio
        sem fim,
        que não sei onde estás, mas sei que estás
        de onde vim.

        Do “Poema Acre-Doce”
        "O Poder da Flor", 1969.

No Rio de Janeiro, para onde se mudara, cursara o ensino secundário no ginásio Anglo-Brasileiro e nos colégios Anglo-Americano e Pedro II (neste, anos depois, se tornaria professor de História e Literatura); o superior, na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil. Sua vida estudantil foi marcada principalmente pela atuação no meio literário. Desde menino fora versado às letras e à oratória. Aos doze anos já escrevia seus primeiros poemas. No Colégio Pedro II, um dos mais renomados do país à época (autarquia Federal) e de grande tradição até hoje, despontou como líder estudantil e lançou seu nome na literatura. Fora o presidente e fundador da Academia de Letras e eleito Príncipe dos Poetas do Pedro II, sendo saudado, na ocasião, por Coelho Neto. Fundou ainda a Academia de Letras da Faculdade de Direito, da qual foi o primeiro presidente, cujo patrono era Afrânio Peixoto. Como estudante, participou de caravanas universitárias ao Chile, Argentina, Uruguai, Portugal (em Coimbra recebeu o título de "Estudante honorário"), França, Espanha, Bélgica, Holanda e Alemanha, onde realizou um curso de extensão.

Poesia e política se mesclam na vida e na obra de Araújo Jorge. Por suas posições políticas antifascistas, democráticas e socialistas sofreu inúmeras perseguições e fora preso inúmeras vezes, principalmente no período do "Estado Novo" (Era Vargas), enquanto estudante; e na ditadura de 64, enquanto poeta e político. Foi candidato a vereador e a deputado estadual e federal no antigo Distrito Federal (posteriormente estado da Guanabara), hoje Rio de Janeiro. Sendo eleito deputado federal em 1970, pela Guanabara, reelegendo-se para o terceiro mandato, em 1978. Político ativo, Araújo Jorge também combateu a ditadura: "Quando a crítica metia o rabo entre as pernas com medo da ditadura, e os poetas, como caramujos de jardim enclausuravam-se em hermetismos artificiais, lancei livros que o DIP apreendeu, participei de comícios dissolvidos a bala...". Era um poeta romântico, mas também um poeta da praça, um poeta da liberdade.

        Não faz mal. De mãos dadas com o povo,
        como em noite de lua
        faço ciranda na rua.

        Do poema “Canto do Poeta Menor”
        "Cantiga do Só" 2a edição, 1968.

Araújo Jorge colaborou e dirigiu inúmeros jornais, além de manter, por vários anos, programas literários, transmitidos principalmente pelas rádios Eldorado, Tupi e Nacional do Rio de Janeiro. Sua popularidade, sobretudo entre os jovens, lhe rendeu o título de Poeta do Povo e da Mocidade. Sua poesia se destaca tanto pela mensagem social e política quanto pelo lirismo, impregnada de grande romantismo moderno, que chega até ser dramático. E a maior prova disso é o seu livro "A SÓS...", a maior expressão romântica de sua poesia, de um profundo lirismo, que conquistou o coração de milhares de leitores. Sabia como tocar os corações por meio de sua poesia permeada de paixão e romantismo.

Produziu muito e com qualidade. Possui 36 obras publicadas entre os mais variados gêneros: poesia, trova, ensaio, crônica, coletânea, etc. Muitas também publicadas em diversos países. Somando todas as suas obras, a tiragem chega a milhões de exemplares. Fato raro e marca que poucos autores brasileiros alcançaram. Os que viveram à época do poeta são unânimes em afirmar, Araújo Jorge foi o poeta mais lido no Brasil, e consequentemente um dos mais combatidos também. Nunca pude compreender como um poeta do porte de um Araújo Jorge fora “silenciado” pela grande crítica brasileira, ele que é digno de figurar ao lado de um Castro Alves, um Olavo Bilac e mesmo um Carlos Drummond de Andrade.

O poeta nunca esqueceu sua terra, sua gente, o chão que o pariu e o nutriu em seus primeiros anos de vida. Olga Percário, uma das responsáveis por manter o site que conserva e divulga a poesia de Araújo Jorge, me escrevera certa ocasião afirmando que ele sempre alardeava e dizia com muito orgulho "Sou Acreano". E isso demonstra os belos poemas que dedicou ao Acre. Camilo Castelo Branco uma vez disse que a poesia não tem presente: ou é esperança ou é saudade. Para Araújo Jorge foram as duas coisas. Nutria um grande desejo de esperança de vida melhor para o seu povo ao mesmo tempo em que era tocado pelas reminiscências de sua infância no Acre.

Sua poesia, além de pronfundamente romântica, é marcada por um enorme senso de humanidade e por uma crítica social consistente, onde o homem exerce papel central. Proclamava o poeta: "a liberdade do futuro será a do homem sem medo da vida, dispondo da educação, da saúde, da terra, dos meios de trabalho, como de ar ou de sol, em igualdade de condições". Sua mensagem ainda se conserva atual, e urgente. Soa como um apelo a se repensar nossa maneira de ser e agir, diante de uma sociedade cada vez mais desigual, e mesmo desumana.

Assim foi José Guilherme de Araújo Jorge, um poeta romântico, um utópico, um político, um homem que buscou na própria vida, e na realidade que o cercou, a inspiração para sua poesia. Sempre romântico, porém, lúcido com a realidade social humana. Continua a fazer milhares de corações vibrarem e suspirarem de amor, de paixão e de indignação frente às injustiças, mesmo há anos de seu último suspiro, ocorrido no Rio de Janeiro, terra que abraçou com imenso amor, no dia 27 de Janeiro de 1987. E viva! Vive o Poeta do Povo e da Mocidade.

Fonte: Alma Acreana - https://almaacreana.blogspot.com/

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BIBLIOGRAFIA

Meu Céu Interior,  
1 ed. 1934, 2 ed. 1949, 3 ed. 1954, 4 ed. 1956, 5 ed, 1959, 6 ed. 1961, 7 ed. 1964


1 ed. 1934. Editora Vecchi. 
2 ed. 1949. Editora Vecchi.

7 ed. Editora Vecchi. 1964. 250 p

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Bazar De Ritmos, 1935 


1 ed. 1935, 2 ed. 1944, 3 ed. 1951, 4 ed. 1956, 5 ed., xxx, 6.d. 1961, 7 ed. 1965


1 ed. 1935






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Cântico dos Cânticos, 1937

Cântico Do Homem Prisioneiro!, 1941, a 2 ed. e publicada em 1949 somente com o titulo Cânticos e a 3 ed. 1955, 4 ed. 1962, 5 ed. 1963







2 ed. 1949




Canticos. 4 ed. Vecchi. 1962. 232 p.

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Amo!, 1938

1 ed. 1938, 2 ed. 1944, 3 ed. 1945, 4 ed. 1949, 5 ed, 1952, 6 ed. 1954, 7 ed. 1956, 8 ed. 1959, 9 ed. 1961; 10 ed. x, 11 ed. 1965



3 ed. 1945. Editora Vecchi



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Poesias - Coletâneas, 1939 (Edição especial)

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Eterno Motivo, 1943 (Prêmio Raul de Leôncio), 2 ed. 1945, 3 ed. 1951, 4 ed. 1954, 5 ed. 1957, 6 ed.  1961, 7 ed. 1964






3 ed. 1951. Editôra Vecchi

x ed. 19xx. Editora Vecchi.



5 ed. 1957. Editora Vecchi.


x ed. 19xx. Editora Vecchi.

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O Canto da  Terra, 1 ed. 1943,  2 ed. 1957, 3 ed. 1961/1965














1 ed. 1943. Editora Vecchi
2 ed. Editora Vecchi. 1957. 


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Estrela Da Terra, 1 ed. 1947




j. G. de Araújo Lima. Estrela da Terra. Capa e ilustrações Jan Zach. Edição do autor. Rio de Janeiro. 1947. 251 p.




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A outra face.  1 ed. 1950, 2 ed. 1952, 3 ed. 1954, 4 ed. 1956, 5 ed. 1961, 6 ed. 19xx, 7 ed. 1965



Adicionar legenda


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Festa de Imagens, 1 ed. 1952, 2 ed. 1954, 3 ed. 1956, 4 ed. 1958, 5 ed. 1961 6 ed. 1963




Adicionar legenda

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Harpa Submersa,  1 ed. 1952, 2 ed. 1957, 3 ed. 1961, 4 ed. 196x, 5 ed. 1963





3 ed. 19xx. Editora Vecchi


x ed. 19xx. Editora Vecchi

5 ed. 19xx. Editora Vecchi.

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A Sós, 1 ed. 1957, 2 ed. 19xx, 3 ed. 1961, 4 ed. 19xx, 5 ed. 1965


Adicionar legenda



Adicionar legenda

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Concerto a 4 Mãos, 1 ed. 1959/1961, em parceria com Maria Helena (poeta portuguesa) 2 ed. 1962









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Espera..., 1 ed. 1960, 2 ed. 1961, 3 ed. 196x, 4 ed. 1965






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De mãos dadas, 1961/1962 em parceira com  Maria Helena, poeta portuguesa



Adicionar legenda

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Canto A Friburgo, 1961/1962 (Edição da Livraria Simões - Friburgo)
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Cantiga do Só, 1963/1964




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Quatro Damas, 1ed. 1964, 2 ed. 



Quatro Damas. 1 ed. 1964






Quatro damas. 2 ed. 1968







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Mensagem, 1966 
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Cantigas de Menino Grande. Volume 4 da Coleção Trovas e Trovadores. 100 Trovas, 1 ed. 1964, 2 ed. 1964


Cantigas de Menino Grande. J. G. de Araújo Jorge. 1964. Freitas Bastos.
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Trevos De Quatro Versos. Trovas, 1 ed. 1964


1 ed. 1964. Livraria São José. 165 p.

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O Poder da Flor, 1 ed. 1969




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ROMANCES - PROSA
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Um besouro contra a vidraça. Livraria José Olimpio. Rio de Janeiro. 1 ed. 1941, 2 ed. 19xx, 3 ed. 19xx, 4 ed. 19xx, 5 ed. xx, 6 ed. 1959, 7 ed. 1963, 12 ed. 1983

Teve um edição de bolso com 50 mil exemplares. 

Resultado de imagem para J. G. de Araújo Jorge
Um besouro contra a vidraça. J. G. de Araújo jorge. Ed. José Olympio. 1942






4 ed. 19xx. Editora Vecchi

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Brasil, Com Letra Minúscula- Romance , 1 ed.  1962







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Antologia Poética. 1978.
Adicionar legenda

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Meus Sonetos De Amor Coletâneas, 1 ed. 1961






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Poemas Do Amor Ardente Coletâneas, 1961




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Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou, 1963 






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No Mundo da Poesia, Crônicas, 1969





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O Poeta Na Praça - Coletâneas, 1981



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Tempo Será - Coletâneas, 1986


1 ed. 1986. Record. 


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