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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Série Livros sobre a Amazônia - Schomburgk



Robert Hermann Schomburgk

Sir Robert Hermann Schomburgk (5 de junho de 1804, Freyburg11 de maio de 1865, Berlin-Schöneberg) foi um explorador alemão trabalhando para o governos britânico.


Schomburgk nasceu em Freyburg, cidade às margens do rio Unstrut, na Saxônia-Anhalt, filho de um pastor protestante.  Em 1820, enquanto morava com seu tio em Leipzig, ele aprendeu sobre botânica. Em 1828 foi escalado para supervisionar um transporte de ovelhas da Saxônia para a Virgínia, Estados Unidos, onde ficou. Perdeu sua fortuna, em parte na Virgínia, onde foi mal-sucedido como plantador de tabaco, em parte num incendio.  Foi então para a ilha de St Thomas, e os numerosos incendios que devastaram a ilha nesta época, destruirão todos seus bens. Ele então decidiu ser um naturalista, coletor e explorador. Em 1830, Schomburgk partiu para a ilha de Anegada, uma das ilhas Virgens, famosa por seus naufrágios de navios. Na primavera de 1831, três naufrágios ocorreram em sequencia nos arrecifes de Anegada, em especial o naufragio da escuna espanhola (Restauradora) que afundou com 185 escravos acorrentados, foi a inspiração para o mapeamento dos arrefices ao redor da ilha de Anegada. Este levantamento desagradou os moradores de Anegada que tinham nos naufrágios e salvamentos uma fonte de renda.  Apesar da pouca experiencia, fez um levantamento da Ilha e enviou à Royal Geographical Society, em Londres, um relatório que criou tamanha impressão que, em 1835, a ele foi confiado o comando de uma expedição à então Guiana Inglesa.







Ele cumpriu sua missão (1835-1839) com grande êxito, e incidentalmente descobriu em 1837 uma planta aquática que posteriormente denominou Vitória-régia. Em 1841 voltou à Guiana, desta vez como oficial do Governo Britânico para mapear e fixar suas fronteiras. O resultado foi uma fronteira provisória entra a Guiana e a Venezuela, conhecida como a “Linha Schomburgk”, assim como a fronteira com a colônia neerlandesa do Suriname. Ele veementemente aconselhou a regulamentação da fronteira com o Brasil, já que alegou ter visto escravidão de índios locais – muitos dos quais já extintos – por brasileiros. Posteriormente, suas explorações nessa região geraria um conflito diplomático que seria denominado Questão do Pirara, no qual o Brasil cedeu dois terços do território disputado. Ao voltar para a Inglaterra, ele recebeu da Rainha Vitória o título de Cavaleiro da Coroa Britânica e se tornou de fato Oficial do Governo Britânico. Em 1846 Schomburgk foi escalado para servir em Barbados, e em 1848 foi designado Cônsul em Santo Domingo. Já em 1857, recebeu o título de Cônsul Geral de Sião, atual Tailandia, e morou em Bangcoc.  Enquanto servia à Coroa Britânica, ele continuava suas explorações. Saiu do serviço público em 1864, por causa de problemas de saúde. Morreu em Berlim, em 11 de março de 1865.  Seu irmão, Otto (28 de agosto de 181016 de agosto de 1857) editou a obra R. H. Schomburgks Reisen in Guiana und am Orinoco während 1835-1830, publicada em 1941. Este emigrou para a Austrália junto com um terceiro irmão, Moritz Richard.

Schomburgk Map of Guiana (Dominio Publico)



Obras de Schomburgk com relação com a Amazônia

  • Voyage in Guiana and upon the Shores of the Orinoco during the Years 1835–'39 (London, 1840; translated into German by his brother Otto, under the title Reisen in Guiana und am Orinoco in den Jahren 1835–'39, Leipsig, 1841, with a preface by Alexander von Humboldt)
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  • Researches in Guiana, 1837–'39 (1840)
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  • Description of British Guiana, Geographical and Statistical (London, 1840)

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  • Views in the Interior of Guiana (1840)
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Robert Schomburgk. Views in the Interior of Guiana. 1840









     
  • Peter Rivière (ed.), The Guiana Travels of Robert Schomburgk 1835–1844, 2 vols (Aldershot: Ashgate for the Hakluyt Society, 2006).

















Travel of his royal highness Prince Adalbert of Prussia: In the south of Europe and in Brazil with a voyage up the Amazon and the Zingu (Translated by Robert H Schomburgk, John Edward Taylor). David Bougue. London. 1848.










Robert Schomburgk foi homenageado pelo seus trabalhos com a denominação de genero das
familia das  Asteraceas e Ochidaceae

Generos

    (Asteraceae) Schomburgkia Benth. & Hook.f.2

    (Orchidaceae) Schomburgkia Lindl.3

Especies

    (Acanthaceae) Justicia schomburgkiana (Nees) V.A.W.Graham4

    (Acanthaceae) Strobilanthes schomburgkii (Craib) J.R.I.Wood5

    (Adiantaceae) Eriosorus schomburgkianus (Kunze ex Klotzsch Copel.]]6

    (Orchidaceae) Cypripedium schomburgkianum Klotzsch ex M.R.Schomb.7

Abreviatura



Schomburgkia spp.




O cervo-de-schomburgk (Rucervus schomburgki, antigamente Cervus schomburgki) é um mamífero extinto da família dos Cervídeos. Era endémico da Tailândia. Foi descrito por Edward Blyth em 1863, e foi batizado em honra de Robert Hermann Schomburgk então cônsul britânico na Tailândia.
Crê-se que a população selvagem do cervo-de-schomburgk desapareceu em 1932, devido à caça excessiva, e o último exemplar em cativeiro morreu em 1938. Alguns cientistas consideram que esta espécie ainda existe.
Fonte: wikipedia


Rucervus schomburgki





sábado, 15 de novembro de 2014

Manoel de Barros - Poeta

Manoel Wenceslau Leite de Barros (Cuiabá MT 1916 - Campo Grande MS 2014). Advogado, Fazendeiro, Poeta.Passa parte da infância em Corumbá, Mato Grosso do Sul, no Pantanal Mato-Grossense, fato que marca toda sua obra poética.

 "Tinha um ano de idade quando o pai decidiu fundar fazenda com a família no Pantanal: construir rancho, cercar terras, amansar gado selvagem. Nequinho, como era chamado carinhosamente pelos familiares,  cresceu brincando no terreiro em frente à casa, pé no chão, entre os currais e as coisas "desimportantes" que marcariam sua obra para sempre. "Ali o que eu tinha era ver os movimentos, a atrapalhação das formigas, caramujos, lagartixas. Era o apogeu do chão e do pequeno."
 

Com dez anos vai estudar em colégios internos de Campo Grande e depois no Rio de Janeiro (Colégio dos Irmãos Maristas). 

"Não gostava de estudar até descobrir os livros do padre Antônio Vieira: "A frase para ele era mais importante que a verdade, mais importante que a sua própria fé. O que importava era a estética, o alcance plástico. Foi quando percebi que o poeta não tem compromisso com a verdade, mas com a verossimilhança." Um bom exemplo disso está num verso de Manoel que afirma que "a quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso." E quem pode garantir que não é? "Descobri que servia era pra aquilo: Ter orgasmo com as palavras." Dez anos de internato lhe ensinaram a disciplina e os clássicos a rebeldia da escrita". Mas o sentido total de liberdade veio com "Une Saison en Enfer" de Arthur Rimbaud (1854-1871), logo que deixou o colégio. Foi quando soube que o poeta podia misturar todos os sentidos. Conheceu pessoas engajadas na política, leu Marx e entrou para a Juventude Comunista.

Mas o sentido total de liberdade veio com "Une Saison en Enfer" de Arthur Rimbaud (1854-1871), logo que deixou o colégio. Foi quando soube que o poeta podia misturar todos os sentidos. Conheceu pessoas engajadas na política, leu Marx e entrou para a Juventude Comunista. Seu primeiro livro, aos 18 anos, não foi publicado, mas salvou-o da prisão. Havia pichado "Viva o comunismo" numa estátua, e a polícia foi buscá-lo na pensão onde morava. A dona da pensão pediu para não levar o menino, que havia até escrito um livro. O policial pediu para ver, e viu o título: "Nossa Senhora de Minha Escuridão". Deixou o menino e levou a brochura, único exemplar que o poeta perdeu para ganhar a liberdade.

Quando  Luiz Carlos Prestes foi solto, depois de dez anos de prisão, Manoel esperava que ele tomasse uma atitude contra o que os jornais comunistas chamavam de "o governo assassino de Getúlio Vargas." Foi, ansioso, ouvi-lo no Largo do Machado, no Rio. E nunca mais se esqueceu: "Quando escutei o discurso apoiando Getúlio — o mesmo Getúlio que havia entregue sua mulher, Olga Benário, aos nazistas — não agüentei. Sentei na calçada e chorei. Saí andando sem rumo, desconsolado. Rompi definitivamente com o Partido e fui para o Pantanal".


Em 1937, estreia com o livro Poemas Concebidos sem Pecado, edição artesanal de 21 exemplares confeccionada por amigos, e desde então passa a publicar com regularidade. Após formar-se em Direito no Rio de Janeiro, volta para Corumbá, em 1941.

Mas a idéia de lá se fixar e se tornar fazendeiro ainda não havia se consolidado no poeta. Seu pai quis lhe arranjar um cartório, mas ele preferiu passar uns tempos na Bolívia e no Peru, "tomando pinga de milho". De lá foi direto para Nova York, onde morou um ano. Fez curso sobre cinema e sobre pintura no Museu de Arte Moderna em 1947. Pintores como Picasso, Chagall, Miró, Van Gogh, Braque reforçavam seu sentido de liberdade. Entendeu então que a arte moderna veio resgatar a diferença, permitindo que "uma árvore não seja mais apenas um retrato fiel da natureza: pode ser fustigada por vendavais ou exuberante como um sorriso de noiva" e percebeu que "os delírios são reais em Guernica, de Picasso". Sua poesia já se alimentava de imagens, de quadros e de filmes. Chaplin o encanta por sua despreocupação com a linearidade. Para Manoel, os poetas da imagem são Federico Fellini, Akira Kurosawa, Luis Buñuel ("no qual as evidências não interessam") e, entre os mais novos, o americano Jim Jarmusch. Até hoje se confessa um "...'vedor' de cinema. Mas numa tela grande, sala escura e gente quieta do meu lado".

Voltando ao Brasil, o advogado Manoel de Barros conheceu a mineira Stella no Rio de Janeiro e se casaram em três meses. No começo do namoro a família dela — mineira — se preocupou com aquele rapaz cabeludo que vivia com um casaco enorme trazido de Nova York e que sempre se esquecia de trazer dinheiro no bolso. Mas, naquela época, Stella já entendia a falta de senso prático do noivo poeta. Por isso, até hoje Manoel a chama de "guia de cego". Stella o desmente: "Ele sempre administrou muito bem o que recebeu." E continuam apaixonados, morando em Campo Grande (MS). Têm três filhos, Pedro, João e Marta (que fez a ilustração da capa da 2a. edição do "Livro das pré-coisas") e sete netos.

Em 1960, fixa-se em Campo Grande, tornando-se criador de gado. A partir da década de 1980, espontaneamente, alguns intelectuais do Rio e de São Paulo passam a divulgar sua obra e a Editora Civilização Brasileira publica Gramática Expositiva do Chão, reunião de quase todos os livros anteriores do poeta, o que faz dele um poeta nacionalmente conhecido.

Nos anos 80, Millôr Fernandes começou a mostrar ao público, em suas colunas nas revistas Veja e Isto é e no Jornal do Brasil, a poesia de Manoel de Barros. Outros fizeram o mesmo: Fausto Wolff, Antônio Houaiss, entre eles. Os intelectuais iniciaram, através de tanta recomendação, o conhecimento dos poemas que a Editora Civilização Brasileira publicou, em quase a sua totalidade, sob o título de "Gramática expositiva do chão".

Hoje o poeta é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes do Brasil. Guimarães Rosa, que fez a maior revolução na prosa brasileira, comparou os textos de Manoel a um "doce de coco". Foi também comparado a São Francisco de Assis pelo filólogo Antonio Houaiss, "na humildade diante das coisas. (...) Sob a aparência surrealista, a poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor." Segundo o escritor João Antônio, a poesia de Manoel vai além: "Tem a força de um estampido em surdina. Carrega a alegria do choro." Millôr Fernandes afirmou que a obra do poeta é "'única, inaugural, apogeu do chão." E Geraldo Carneiro afirma: "Viva Manoel violer d'amores violador da última flor do Laço inculta e bela. Desde Guimarães Rosa a nossa língua não se submete a tamanha instabilidade semântica". Manoel, o tímido Nequinho, se diz encabulado com os elogios que "agradam seu coração".

O poeta foi agraciado com o “Prêmio Orlando Dantas” em 1960, conferido pela Academia Brasileira de Letras ao livro “Compêndio para uso dos pássaros”. Em 1969 recebeu o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pela obra “Gramática expositiva do chão” e, em 1997, o "Livro sobre nada” recebeu o  Prêmio Nestlé, de âmbito nacional. Em 1998, recebeu o Prêmio Cecília Meireles (literatura/poesia), concedido  pelo Ministério da Cultura.

Numa entrevista concedida a José Castello, do jornal "O Estado de São Paulo", em agosto de 1996, ao ser perguntado sobre qual sua rotina de poeta, respondeu:

"Exploro os mistérios irracionais dentro de uma toca que chamo 'lugar de ser inútil'. Exploro há 60 anos esses mistérios. Descubro memórias fósseis. Osso de urubu, etc. Faço escavações. Entro às 7 horas, saio ao meio-dia. Anoto coisas em pequenos cadernos de rascunho. Arrumo versos, frases, desenho bonecos. Leio a Bíblia, dicionários, às vezes percorro séculos para descobrir o primeiro esgar de uma palavra. E gosto de ouvir e ler "Vozes da Origem". Gosto de coisas que começam assim: "Antigamente, o tatu era gente e namorou a mulher de outro homem". Está no livro "Vozes da Origem", da antropóloga Betty Mindlin. Essas leituras me ajudam a explorar os mistérios irracionais. Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento."

Diz que o anonimato foi "por minha culpa mesmo. Sou muito orgulhoso, nunca procurei ninguém, nem freqüentei rodas, nem mandei um bilhete. Uma vez pedi emprego a Carlos Drummond de Andrade no Ministério da Educação e ele anotou o meu nome. Estou esperando até hoje", conta. Costuma passar dois meses por ano no Rio de Janeiro, ocasião em que vai ao cinema, revê amigos, lê e escreve livros.

Não perdeu o orgulho, mas a timidez parece cada vez mais diluída. Ri de si mesmo e das glórias que não teve. "Aliás, não tenho mais nada, dei tudo para os filhos. Não sei guiar carro, vivo de mesada, sou um dependente", fala. Os rios começam a dormir pela orla, vaga-lumes driblam a treva.  Meu olho ganhou dejetos, vou nascendo do meu vazio, só narro meus nascimentos."

O diretor Pedro Cezar filma "Só dez por cento é mentira", um documentário sobre a vida do poeta. O título do filme refere-se a uma frase de Manoel de Barros: "Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira".

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Obras publicadas - primeiras edições


Poesia

Poemas Concebidos sem Pecado - 1937




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Face Imóvel - 1942


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Poesias - 1956

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Compêndio para Uso dos Pássaros - 1961





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Gramática Expositiva do Chão - 1969








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Matéria de Poesia - 1974

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Arranjos para Assobio - 1982

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Livro de Pré-Coisas - 1985



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O Guardador de Águas - 1989




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Gramática Expositiva do Chão: Poesia quase Toda - 1990 

Gramática Expositiva do Chão: Poesia quase Toda. Record. 1990 
SINOPSE
GRAMÁTICA EXPOSITIVA DO CHÃO, escrito oito anos depois de Compêndio para uso dos pássaros, é um vôo ousado entre os vocábulos, criando um novo espaço cubista na linguagem. Aqui, a poesia de Manoel de Barros busca os resíduos rejeitados pela sociedade de consumo, "o que pode ser carregado como papel pelo vento", e expõe as entranhas das palavras, o dentro e o fora, qual um quadro de Picasso.  Livro das ignorãças, Concerto a céu aberto para solos de ave, Arranjos para assobio, Poemas concebidos sem pecado e Matéria de poesia, entre outros. Com Matéria de poesia, Poemas concebidos sem pecado, Compêndio para uso dos pássaros e Gramática expositiva do chão, a Editora Record completa o projeto de fixação da obra de Manoel de Barros. Ao todo, a editora relançou nove livros do poeta pantaneiro, com texto revisto e novo projeto gráfico. Além desses, foram lançados dois volumes inéditos: Livro sobre nada - ganhador do Prêmio Nestlé 1997 - e Retrato do artista quando, em 1998. 

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Concerto a Céu Aberto para Solo de Aves - 1991



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O Livro das Ignorãças - 1993


Manoel de Barros. O livro das Ignorãnças. Civilização Brasileira. 1993.





Manoel de Barros. O livro das Ignorãças. Civilização Brasileira. 1993.



SINPOSE:


A obra O Livro das Ignorãças é dividido em três partes: "Uma Didática da Invenção",   "Os Deslimites da Palavra" e "Mundo Pequeno". Sob a aparência surrealista, a poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo.

Em "Uma didática da invenção", surgem várias questões evidenciando a preocupação de Manoel de Barros quanto as idéias específicas de poesia. Assim, já no primeiro poema do livro, temos a idéia do desaprender, da necessidade que o poeta vê de a poesia enlouquecer a língua, tirando-a dos lugares comuns em que se encontra. Nessa primeira parte há um trajeto claro de fugir à linguagem comum e alcançar uma língua adâmica, original que se aproxime mais da coisa em seu estado bruto, que chegue à "coisidade" da coisa, em seu âmago de coisa mesmo.

Em "Os deslimites da palavra" o poeta inventa uma lenda e escreve a partir dela: um tal
canoeiro Apuleio, que teria passado três dias e três noites navegando sobre as águas de uma enchente ocorrida em 1922, sem comer nem dormir, registra em um caderno, a partir dessa experiência, amontoados de frases desconexas. Tempos depois, o poeta encontra esse caderno e tenta "desarrumar as frases", de modo que elas se tornem poesia, apesar de, em si, elas já serem poesia, pois, como diz o poeta, "nesse caderno, o canoeiro voou fora da asa", provocou "uma ruptura com a normalidade", ou seja, escreveu fora da língua comum, fazendo poesia.

Na terceira parte, "Mundo pequeno", o autor traz as mesmas questões eleitas por Manoel
de Barros, sendo que o primeiro poema já rompe com a gramática da língua, conforme já vimos em outros poemas. Nos versos seguintes, os substantivos transformam-se em verbos.

Em O livro das Ignorãças, também há a proposta de, além de tornar-se coisa, "desacostumar as coisas", assim como se deve "desacostumar as palavras". Do mesmo modo que se deve livrar as palavras de seu estado normal, fazendo-as delirar, há também a necessidade de livrar as coisas de sua utilidade usual, tirando-as do uso que elas têm no dia-a-dia. É o que o poeta chama de "desinventar objetos.
http://www.feranet21.com.br/livros/resumos_ordem/o_livro_das_ignoracas.htm

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Livro sobre o Nada - 1997




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Retrato do Artista quando Coisa - 1998




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Para Encontrar Azul Eu Uso Pássaros - 1999


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Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo  - 2001


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Poemas Rupestres - 2004



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Menino do Mato  - 2010


Manoel de Barros. Menino do Mato. Leya. 2010.


Sinopse:
'Menino do mato' divide-se em duas partes - 'Menino do mato' e 'Caderno de Aprendiz'. São 96 páginas de lirismo e leveza nas quais o leitor reencontra a poesia de Manoel de Barros. A segunda parte é composta em grande parte por versos curtos, mas tão intensos em imagens e significados quanto os poemas presentes na primeira metade.


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Poesia Completa - 2010


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Escritos em verbal de ave - 2011


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Portas de Pedro Viana - 2013


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Prosa de ficção
Memórias Inventadas: A Infância - 2003











Memórias Inventadas: A Segunda Infância - 2006

  
Adicionar legenda





Memórias Inventadas: A Terceira Infância - 20xx



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Infantil
Exercícios de Ser Criança - 1999
O Fazedor de Amanhecer - 2001
Poeminhas Pescados numa Fala de João - 2001

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Cantigas para um Passarinho à Toa - 2003


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Traduções e edições estrangeiras

  Francês
La Parole sans Limites. Une Didactique de l'Invention [O Livro das Ignorãças]. Édition Bilingue. Tradução e apresentação Celso Libânio. Ilustração Cicero Dias. Paris: Éditions Jangada, 2003.
Portugal
Encantador de Palavras. Organização e seleção Walter Hugo Mãe. Vila Nova de Famalicão, Quasi, 2000.

Espanha:

2005 - Riba del dessemblat (Antologia Poética), Ed. Catalã, Lleonard Muntaner, Editor.





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Autobiografia de Manoel de Barros (ele por ele mesmo)

Manoel de Barros: "Não sou biografável. Ou, talvez seja. Em dez linhas. Nasci em Cuiabá, 1916, dezembro. Me criei no Pantanal de Corumbá. Só dei trabalho e angústias pra meus pais. Morei de mendigo e pária em todos os lugares da Bolívia e do Peru. Morei nos lugares mais decadentes por gosto de imitar os lagartos e as pedras. Publiquei livros. Não acredito em nenhum. Me procurei a vida inteira e não me achei - pelo que fui salvo. Sou fazendeiro e criador de gado. Não fui pra sarjeta porque herdei. Gosto de ler e de ouvir música - especialmente Brahms. Estou na categoria de sofrer do moral, porque só faço poesia."

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Luto - Morreu o poeta Manoel de Barros

Luto - Morreu o poeta Manoel de Barros (14 de Novembro de 1964), um pantaneiro, interprete da natureza e das coisas simples que falam com a alma da gente  ... agora dos que falam com minha alma sobrou  Thiago de Mello

Poema inédito

Fôssemos merecidos de água, de chão, de rãs, de árvores, de brisas e de garças!
Nossas palavras não tinham lugar marcado. A gente andava atoamente em nossas origens.
Só as pedras sabiam o formato do silêncio. A gente não queria significar, mas só cantar.
A gente só queria demais era mudar as feições da natureza. Tipo assim: Hoje eu vi um lagarto lamber as pernas da manhã. Ou tipo assim: Nós vimos uma formiga frondosa ajoelhada na pedra.
Aliás, depois de grandes a gente viu que o cu de uma formiga é mais importante para a humanidade do que a Bomba Atômica.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Série livros sobre a Amazônia - O CICLO DO OURO NEGRO - IMPRESSÕES DA AMAZÔNIA - Vianna Moog



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Clodomir VIANNA MOOG, advogado, jornalista, escritor, nasceu em São Leopoldo, RS, em 28 de outubro de 1906, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 15 de janeiro de 1988. Em 1932, como participante da Revolução Constitucionalista, foi preso e transferido de Porto Alegre para Manaus. Pouco depois foi para Teresina. E do Piauí retornou a Manaus. Desta vez serviu no interior até que a anistia, concedida pelo Congresso em 1934, o restituísse ao Sul. Foi no período de exílio que começou propriamente a sua atividade literária. No Amazonas escreveu dois livros: Heróis da decadência - Reflexões sobre o humor, com estudos sobre Petrônio, Cervantes e Machado e O ciclo do ouro negro, ensaio de interpretação da realidade Amazônica, publicado em 1936. 

Em 1942 permaneceu alguns meses nos Estados Unidos e, no pós-guerra, vários anos. O conhecimento direto que adquiriu daquele país permitiu-lhe empreender uma comparação pioneira entre as civilizações brasileira e norte-americana, no livro Bandeirantes e Pioneiros, que alcançaria grande fortuna crítica tanto no Brasil como no exterior. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras e ao Instituto Histórico.

Outras Obras: Heróis da decadência, ensaio (1939); Novas cartas persas, sátira (1937); Eça de Queirós e o século XIX, ensaio (1938); Um rio imita o Reno, romance (1938); Uma interpretação da literatura brasileira, ensaio (1942); Nós, os publicanos, ensaio (1946); Mensagem de uma geração, ensaio (1946); Bandeirantes e pioneiros, estudo social (1954); Uma janela para Ulisses, novela (1959); Tóia, romance (1962); A ONU e os grandes problemas, política (1965); Obras completas de Vianna Moog (1966); Em busca de Lincoln, biografia (1968).
Fonte: ABL



Vianna Moog. O ciclo do ouro negro: impressões da Amazônia. 1 ed. Edição da Livraria do Globo. Porto Alegre. 1936. 153 p.



Sumário: 1. Amazônia - Vale e planície. 2. Civilização de alternativas. 3. O êxodo e o servo da gleba. 4. O destino dos retirantes. 5. Lendas amazônicas. 6. Os autóctones. 7. Os caboclos. 8. Do Líbano à Mesopotâmia. 9. Imagens do Rio Negro - Panoramas em marcha. 10. Imagens do Solimões - Manaus - Foz do Jutaí. 11. Imagens do Solimões - Foz do Jutaí - Tabatinga. 12. Algumas perspectivas.







Vianna Moog. O Ciclo do Ouro Negro. 2 ed. Editora Delta. Rio de Janeiro 1966. 309 p. Obras de Vianna Moog. Vol. 6 (publicada em conjunto com A Onu e os grandes problemas sociais do nosso tempo). 

Contém as duas obras do autor, em um só volume, uma carta de Monteiro Lobato e estudos de Luís Forjaz Trigueiros e Austregésilo de Athayde. Inclui uma foto de Vianna Moog em visita à União Pan-Americana.