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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Série livros sobre a Amazônia - Amazônia 20º andar: De Ipanema ao Topo do Mundo, uma jornada na trilha de Chico Mendes - Guilherme Fiúza



Amazônia 20º andar
Guilherme Fiúza. Amazônia 20º andar: De Ipanema ao Topo do Mundo, uma Jornada na Trilha de Chico Mendes. Record. Rio de Janeiro.  1 ed. 272 p.  2008. ISBN: 850107991X 


Resenha

 Escrito pelo jornalista Guilherme Fiúza, mesmo autor do sucesso "Meu Nome Não é Johnny", o livro "Amazônia 20º andar: De Ipanema ao Topo do Mundo, uma Jornada na Trilha de Chico Mendes" (Record, 2008) mostra a saga de uma estilista e um empresário bem sucedidos que trocam vidas confortáveis no Rio de Janeiro pelo sonho de salvar a Amazônia. Os dois amigos conhecem o líder seringueiro Chico Mendes em uma passeata no Rio de Janeiro, um mês antes dele ser assassinado. Descobrem dessa forma que a Amazônia não poderia ser salva com passeatas à beira-mar. Decidem largar tudo e iniciar um projeto que fosse rentável também para os povos da floresta. Em alguns meses, os dois erguem uma indústria de couro vegetal que alcança Paris e Nova York. A história é repleta de paixões, traições, perigo, muito dinheiro, façanhas e também fracassos.

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Resenha II

A aventura de Bia Saldanha e João Augusto Fortes - uma estilista e um empresário do ramo da construção civil -, que foram para a Amazônia realizar um antigo sonho de fabricar couro vegetal, virou tema do mais recente livro do jornalista Guilherme Fiúza: ?Amazônia 20º andar - De Ipanema ao topo do mundo, uma jornada na trilha de Chico Mendes?, lançado pela editora Record.
Além de contar a história de Francisco Alves Mendes Filho ? o ?Chico Mendes? ?, grande seringueiro e ativista ambiental brasileiro, a obra descreve a trajetória de Fortes e Saldanha desde o dia em que eles deixaram a Zona Sul do Rio de Janeiro rumo à selva tropical para confeccionar o couro vegetal. Em plena floresta, eles se juntaram a índios e seringueiros do Acre e criaram uma linha de montagem que se tornou pioneira na fabricação do produto sustentável, levando a moda do couro vegetal para o mundo. O empreendimento dos dois deu tão certo que transformou o produto em artigo de luxo e já ajudou 200 famílias de índios e seringueiros envolvidos no projeto, que tiveram suas rendas familiares aumentadas em até 15 vezes com a fabricação das bolsas de couro vegetal. Uma história interessante, que pode ser conferida na íntegra no livro de Fiúza!

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Entrevista com Guilherme Fiúza (Fonte: Folha Online)

O escritor Guilherme Fiúza, autor dos livros "Amazônia 20º Andar" e "Meu Nome Não É Johnny"
Livraria da Folha - Sua última obra, "Amazônia 20º Andar", trata de um assunto fortemente relacionado com um dos homenageados da feira deste ano, o estado do Amazonas [os outros homenageados são o Chile e a poeta Cora Coralina]. Gostaria de saber o que você acha de tantas atenções voltadas para a Amazônia?
Fiúza - [O livro] conta a história de uma pessoa que sai da cidade com tudo resolvido, uma vida confortável. Ela deixa essa vida para trás, pondo tudo a perder para ir atrás desse enigma, que é a vida selvagem. Respondendo a sua pergunta, acho que é porque a Amazônia é um grande fetiche. Tenho a petulância de dizer que a maioria das pessoas que se preocupam com a Amazônia não sabem bem porque elas tão preocupadas. Eu tenho a impressão que a Amazônia está tão em evidência porque o Brasil, em especial, tem uma inquietude enorme sobre qual é o seu interesse lá. A Amazônia é um prodígio: maior floresta tropical do mundo! Isso é quase um orgulho ufanista. Por outro lado, é um símbolo de atraso, de mosquito, de vida pobre, de tragédia, de crime, de ausência de Estado, de ausência de civilização. No fundo, a sociedade não sabe bem o que fazer com esse símbolo. O meu livro é mais ou menos a história da demolição do romantismo em torno da Amazônia. A Bia [protagonista] vai para a floresta por uma utopia, imaginando uma floresta cor de rosa que ela quer salvar. Ela realiza o sonho dela, que é se aliar a índios e seringueiros para ganhar o mundo com seu produto. Mas junto ao sonho tem uma série de pesadelos que é ela caindo na real de quanto aquele lugar é inóspito, cruel, feio, às vezes. É um lugar fascinante, mágico, mas que tritura as pessoas que se arriscam a ir para lá.
Livraria da Folha - Há algum paralelo entre "Amazônia 20º Andar" e "Meu Nome Não É Johnny"?
Fiúza - O livro "Amazônia 20º Andar" tem essa coisa curiosa, da mesma maneira que o Johnny [ "Meu Nome Não É Johnny" ] é um cara bem nascido, da classe média e através do olhar dele a gente vai pro submundo, não por um olhar de um criminoso, de um cara que infelizmente já nasceu na periferia da sociedade. É um olhar muito rico, de um cara levando aqueles solavancos todos. E no "Amazônia 20º Andar" acontece uma coisa muito parecida: uma pessoa que sai com todos os códigos da cidade e na primeira vez que ela chega à Amazônia, pega um taxi que, na verdade, é um transporte que vai levá-la à cidade de Boca do Acre. Ela entra tranquilamente naquele taxi e, no meio da viagem, se vê no meio do nada, com um motorista louco, psicopata, que tem um revolver na cintura, onde tudo pode acontecer com ela. Isso é só uma caricatura de uma visão muito rica de alguém da cidade indo pra floresta sem a ONG, sem o deputado, sem as estatísticas e os satélites. Uma pessoa de carne e osso vendo aquele mundo tão estranho.
Livraria da Folha - E você? Teve a oportunidade de viver em carne e osso essa realidade?
Fiúza - Tive. Eu não tive a experiência que esses personagens tiveram, porque eles levaram a vida deles pra lá. E aí eles sentiram tudo mesmo na carne, de bom e de ruim. Eu fui fazer reportagem, e certamente não mergulhei tão profundamente

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No coração da selva

Entrevista para o GI (Globo, em 01/02/09) para Luciano TrigoAutor de Meu nome não é Johnny fala sobre seu novo livro, Amazônia 20º andar
fiuza-divulgacao.JPGfiuza-capa.jpgAmazônia 20o andar, o novo livro do jornalista Guilherme Fiúza, tem alguma coisa em comum com seu trabalho anterior, Meu nome não é Johnny: ambos retratam pessoas de classe média alta que mergulham em universos totalmente estranhos ao seu meio e à sua formação. Se João Estrella se tornou uma espécie de traficante acidental, mostrando por via ilícita como estão perigosamente próximos dois mundos paralelos dentro da cidade do Rio de Janeiro, os protagonistas de Amazônia 20o andar (Record, 272 pgs. R$42) – uma estilista rica e um empresário bem-sucedido - também trocaram uma rotina de conforto por uma aventura igualmente arriscada - esta, no coração da Floresta Amazônica. Após conhecer Chico Mendes numa passeata na orla carioca, um mês antes do assassinato do líder seringueiro, Bia Saldanha percebeu que de pouco adiantaria um “ecologismo de butique”; decidiu então fechar sua loja, terminar seu casamento e viajar para o Acre. Seu sonho foi compartilhado pelo empresário João Augusto Fortes, que largou o alto cargo que ocupava numa construtora e apostou tudo no projeto de desenvolver uma indústria de couro vegetal. O livro de Fiúza conta essa dupla trajetória, ao mesmo tempo em que coloca em questão mitos sobre a Amazônia e a defesa da floresta.
G1: Já há alguns anos, você optou por deixar as redações para trabalhar em casa, em duas frentes: livros e internet. Como enxerga a situação atual e o futuro do jornalismo? Já existem coisas mais interessantes para ler nos blogs que nas páginas da grande imprensa? Como isso afetará o mercado?
GUILHERME FIÚZA: Estava começando no Jornal do Brasil, no final dos anos 80, e numa daquelas assembléias históricas que paravam a redação me fixei numa frase da representante do sindicato: “Nossa matéria-prima é a informação.” Na hora, pensei: “Opa, acho que não peguei o espírito da coisa.” Para mim, ainda terminando a universidade, a informação era apenas uma das matérias-primas do jornalismo. Aquele grande JB era, aos meus olhos, um coquetel de informação, crítica, opinião, estilo, design, humor, um lugar de pensar. E, acima de tudo, um ponto de encontro. A maior importância do que estava escrito ali se devia ao fato de que você lia sabendo que todo mundo estava lendo a mesma coisa. Isso acabou. A internet, os novos meios enfim, multiplicaram as facetas da mídia, o que é ótimo. Mas o ponto de encontro está acabando. Mesmo um Jornal Nacional ou uma Veja não te dão mais aquela velha certeza de que aquilo está sendo visto instantaneamente por “todo mundo”. A comunicação de massa chegou ao mesmo tempo à apoteose e ao divã. Se a mídia virar uma feira grandiosa onde ninguém se encontra, não será mais mídia. A informação sobrevive a isso. Mas aquele delicioso coquetel do velho JB não chega por celular. Talvez o desafio do jornalismo seja criar novos pontos de encontro para a inteligência.
G1: Amazônia 20º andar começou a ser gestado já na época do assassinato de Chico Mendes. O que mudou na sua leitura sobre a questão da Amazônia e sobre Chico Mendes, nesses 20 anos, e por que você finalmente decidiu escrever o livro?
GUILHERME: O livro foi gestado em um ano. Acompanho a questão da Amazônia há 20 anos, quando fui repórter de meio ambiente. Mas, para ser sincero, enjoei desse assunto há muito tempo. O que me motivou a escrever o livro foi a aventura humana dos protagonistas, que largam suas vidas ganhas na cidade, pondo tudo a perder na floresta. Uma história que começa com Chico Mendes barrado por banhistas em Ipanema… O inusitado é sempre um bom caminho.
G1: O livro trata da trajetória de dois empresários, que tentam viabilizar um negócio ao mesmo tempo lucrativo e ambientalmente correto, explorando o couro vegetal. Mas a ecologia nem sempre dá lucro. Você acha que o caminho para evitar que a floresta continue a ser destruída passa por um projeto de desenvolvimento econômico auto-sustentado? 
GUILHERME: Não sei, francamente, qual a melhor solução contra a destruição da floresta. Acho que o livro também não pretende apontá-la. Mas uma coisa é certa: essa Amazônia das imagens de satélite, das estatísticas de desmatamento, dos relatórios de manejo, não comove ninguém. É abstrata demais, chata demais. A Amazônia tem muitas caras, Chico Mendes foi uma delas – e aí tem saída. Acho que meus personagens, urbanos, também dão cara à Amazônia.
fiuza-trecho1.jpgG1: O que leva dois empresários bem-sucedidos a largar uma vida de conforto na zona sul do Rio e se embrenhar na floresta? Que avaliação se faz dos resultados desse projeto hoje?
GUILHERME: João Augusto Fortes e Bia Saldanha são duas almas inquietas. Idealistas, empreendedores, às vezes quase megalômanos. Todo mundo tem um pouco desse sonho de virar a vida do avesso para ver o que acontece. Mas a maioria sublima isso no cinema. Eles levaram ao pé da letra. Os dois passaram vários sufocos e conquistaram muita coisa. Dá para dizer que ganharam tudo e perderam tudo. Foram perseguidos, acusados de cegar índios e escravizar seringueiros, premiados pela ONU e consagrados nas capitais mundiais da moda. O projeto colapsou, deixou boas sementes e feridas pessoais, e a lição de que a Amazônia não será salva com slogans em Ipanema, discursos em Brasília ou relatórios de ONGs.
G1: A realidade da floresta é praticamente desconhecida pela mídia e, por extensão, pela sociedade como um todo. A Amazônia só é lembrada em casos como o do assassinato da irmã Dorothy. Quais são os problemas mais urgentes da região hoje, e como você avalia a ação do governo?
GUILHERME: Acho que a Amazônia, para a opinião pública, é quase um fetiche. Um pulmão mundial, um jardim gigante, um baú do tesouro genético e por aí vai. O ex-governador do Acre, Jorge Viana, diz que o ministro Mangabeira Unger não vai resolver os problemas da região, mas vai ganhar um bom dinheiro dando palestras sobre ela para o resto da vida. A Amazônia abstrata dá muito mais ibope – e voto – que a Amazônia concreta.
G1: O que você acha do debate sobre a internacionalização da Amazônia?
GUILHERME: O brasileiro adora o slogan “A Amazônia é nossa”. Já os personagens do livro, depois de andar por diversas localidades da região onde o Estado não existe, onde a pistola é a lei, onde o dinheiro não pode chegar porque não existe alguém com carteira de identidade para receber, perguntam-se: “Nossa de quem, cara pálida?”
G1: Já existem propostas para transformar Amazônia 20o andar em filme?
GUILHERME: Dois produtores já leram o livro. Disseram que perderam o sono com a história – não sei se porque gostaram muito, ou pela quantidade de dinheiro que terão que levantar.
G1: Sobre Meu nome não é Johnny: como o sucesso do livro e do filme afetaram o debate sobre as drogas, o tráfico, a violência e a juventude no Brasil? Você considera que estão sendo feitos avanços? Em que sentido?
GUILHERME: Não sei se chegou a afetar o debate. As drogas são um tema muito difícil, cheio de tabus e de confusões entre segurança pública e a questão mental. O fuzil e o baseado se encontram na vida urbana, mas tratá-los como um problema só é o melhor caminho para não resolver nenhum deles. Acho que o Meu nome não é Johnny funcionou um pouco como um espelho (sem trocadilho) para a multidão de pessoas comuns que já passaram (bem ou mal) pela loucura das drogas, e das que não passaram e têm curiosidade, ou medo, ou preconceito em relação ao tema. Tenho a impressão de que não é muito comum a retratação desse universo de forma tão franca, com as delícias e as dores expostas sem filtro ou catequese. A força do Johnny talvez esteja numa história que não é de drogas ou de tráfico, mas de um cara comum às voltas com a sua própria porralouquice. Mas tenho dificuldade de ver avanços na discussão sobre entorpecentes. Acho que continuam existindo aí dois planetas distintos: o dos que se drogam e o dos que dizem a eles que não é bom se drogar. É uma conversa de surdos, com um único traço comum: o preconceito recíproco entre os dois planetas. Nesse caminho, teremos cada vez mais jovens ETs nas salas de aula e de janta

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